24 maio 2012

A escola é boa?

Como saber se a escola que você escolheu para seu filho é boa?

Fácil: leve um baita tombo na frente da cantina e aguarde a reação das pessoas.

Sem dúvida a  tarefa mais árdua de uma mãe é escolher a escola para o filho.

Sofri várias vezes com isto. Não pensem que porque estou no quarto filho tal tarefa ficou mais fácil.

Muito pelo contrário: minha listinha de coisas que devo perguntar, coisas que devo reparar e coisas que devo enxergar nas entrelinhas só vem aumentando com a aquisição da experiência.

Munida de minhas listinhas, saí à procura de uma escola para o Davi.

Então, visitei escolas de todos os tipos e cheiros (aliás, o cheiro da escola também deve ser bom): escolas evangélicas, escolas espíritas, escolas atéias, escolas caras, escolas baratas, escolas-fazendinha, escolas-bunker, escolas, escolas e mais escolas.

E decidi coloca-lo em uma escola com uma área verde bem grande, com um refeitório acolhedor, um cheiro bom e um cardápio adequado.

Estava contente com a escola até terça-feira.
Sim, o dia que eu levei um baita tombo na frente da cantina da escola.


Estava atrasada em 15 minutos para pegar o Davi e quando eu cheguei ele e todas as outras 20 crianças cujos pais estavam atrasados devido ao engarrafamento, à distração ou à diarréia estavam sendo cuidados por uma adolescente. Recebi o Davi no colo, me dirigi ao carro e enfiei, pela segunda vez o pé num buraco da grama.

Fiquei ali, sentada, com minha calça jeans nova e carésima rasgada, os dois pés inchados e doloridos e o tendão do joelho do lado de fora. Ensangüentada, chorando e com raiva. Muita raiva mesmo.

A escola estava praticamente deserta a não ser por um professor que passou reto por mim. Fingiu que não viu? Ou pensou que eu era muçulmana e estava rezando para Alá e não quis me interromper?

A tal da adolescente que cuidava das crianças foi avisada que tinha uma mãe no chão e teve que largar as crianças sozinhas por alguns minutos para jogar um anti-séptico pelo buraco da minha calça bem ali no chão, onde eu havia decidido "descansar" e logo voltou ao seu posto.

Um garoto avisou a única pessoa que havia na secretaria que eu precisava de ajuda e a coordenadora chegou me avisando que várias mães já haviam caído naquele buraco e até me sugeriu que transformasse minha calça tão linda em uma bermuda, para "aproveita-la".  Virou as costas e me deixou ali, sentada, morrendo de dor, com duas crianças, duas bolsas, longe do carro e uma vontade enorme de surtar.

Eu recolhi meus cacos e meus filhos, praticamente rastejei até o carro, dirigi sódeussabecomo para casa e chorei.

O que passaria pela sua cabeça numa situação desta? Eu fiquei muito preocupada com a falta de um treinamento de primeiros socorros para os funcionários, que não souberam o que fazer.

Imaginei que uma criança poderia ter se ferido naquela situação tão precária, onde não havia  (e não houve) nem ajuda, nem atenção, nem cuidado.

Não é este o lugar que quero para o meu filho. Nem para o seu.

Por isso, incluí na minha lista: procurar buracos na grama e também gente de bom coração e bem preparada.

Assim que conseguir andar, vou voltar a procurar uma escola para o Davi, e certamente vou cair na frente da cantina. Com mais cuidado, porém.

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