28 Outubro 2010

Eu e a precoce síndrome do ninho vazio

Pode parecer neurose, e talvez seja mesmo, mas minha cabecinha dura não pára de pensar quando, um dia, terei que mudar o nome do meu blog para Eu sem os 4. É, é triste, mas hoje eles são meus, estão comigo, os levo para onde quero, arrumo o cabelo como quero, visto como quero (bem, nem tanto assim), dedico por opção a maior parte do meu dia para as crianças e sou, sem dúvida, o maior amor deles.

Mas, e daqui a alguns anos? Onde eles estarão? Quem será o amor deles? Onde será o lar deles? O que eles estarão fazendo? Quem serão meus filhos, afinal?

Já sei, criamos nossos filhos para o mundo, e eu realmente os preparo para uma vida independente, mas que mãe nunca pensou no dia... no chuvoso e nebuloso dia em que um filho decidirá sair de casa e começar a trilhar seu caminho? E quem nunca teve medo disto?

Sei que me orgulharei (assim espero) quando darei ao mundo uma pessoa boa e honesta e sei também que estarei na lista dos Mais Amados, mas sei também que alguém (ou algo) receberá mais amor e atenção do que eu (olha a carência...). E eu, que hoje praticamente não existo sem os 4, vou ter que reaprender a viver não sem eles, mas com eles mais distantes, com suas vidas e projetos nos quais muitas vezes eu não estarei incluída.


Não terei mais que levantar de madrugada para amamentar ou para cobrir os pequenos, mas quem disse que eu queria dormir a noite inteira sem interrupção?
Não terei que dirigir durante o dia inteiro de norte-a-sul-de-leste-a-oeste para deixar uma na academia, outra no ballet, outro na escola, outro tomar vacina; mas quem disse que eu não adoro ficar atrás do volante quando tenho os 4 sentadinhos logo atrás de mim?
Não terei que fazer 3 bolos de chocolate por fim de semana; mas quem disse que eu não gosto de cozinhar?
Não terei mais que recolher quilos de brinquedos do chão; mas quem disse que eu não gosto de catar brinquedos e lembrar das mãozinhas deles brincando com aquele bichinho de pelúcia?
Quentin Blake
Minha casa será silenciosa e sem nem um pedacinho de choro ou barulho; mas, alguém aí já pensou que não é um mero caso eu ser meio surdinha de um ouvido?


Falando assim, pode até parecer que eu não sou ninguém, não tenho personalidade e não tenho outro papel a não ser o de mãe, mas veja bem, isto não é verdade!
Tenho minha profissão, meus hobbies, meus amigos, meus blogs, mas minha atividade favorita é ser mãe!

Por isso, tenho certeza que a síndrome do ninho vazio me atingirá em cheio, bem no plexo solar e é bom eu já ir me preparando para isto.

Mas enquanto isto não acontece, vou correr porque ainda preciso tomar banho, preparar as lancheiras e os uniforme para a escola de amanhã, guardar as roupas passadas, tirar a mesa do jantar, fazer a lista de compras...


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17 comentários:

Ieda Dias disse...

Vou te dizer uma coisa que pode parecer muito objetiva, porque vem de quem não tem filhos:
os seus filhos vão sair um a um, assim como chegaram. Você se adaptou com os 4 vai se adaptar na tu ral men te sem os 4 na cola.
Simples...rs
bjos
www.oquevivipelomundo.blogspot.com

Ana Cristina disse...

Ai Ieda!! Você tem razão!!!

Beijos

Ana

♥ Mamãe Coragem e seu trio ♥ disse...

oi Ana.
amiga ví que só vc me entende. rsrsrs me chamam de louca pq tenho medo dos meus filhos um dia irem embora. Nem quero pensar neles namorando, amando outros aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa sou ciumenta!

agora no fim do post, parece que vc estava narrando as minhas tarefas rsrsrsrs, que engraçado.
bjks

Beta, a mãe disse...

Nem me fale Ana, eu também sofro e muito, e olha que eu acho que sou uma mãe super tranquila e crio meus filhos pro mundo. Eles dormem na avó e nós viajamos sem eles, mas dá uma dor no coração saber que esse dia vai chegar e sabe o que me dói mais? Passa tão rápido! O que nos resta é curtir intensamente.

Layla Barlavento disse...

Amiga essa é uma verdade dura que procuro não pensar (ainda). Mas sempre que estes pensamentos me assobram procuro suavisá-los com a certeza que terei muitos netos pra mimar! Pensa nisso um pouco que seu coração se enche de alegria de novo!

Beijos na alma!
Layla Barlavento
culpadowalter.blogspot.com

Roberta M. disse...

Ana Cristina, vc ainda tem 4, eu só tenho 1, na hora que esse for, babau kkkk, ai que eu nem gosto de pensar e ele ainda vive na ilusao que quer viver comigo para todo o sempre kkk, beijocas

Florzinha disse...

Sua postagem me lembrou uma crônica de Afonso Romano "Antes que eles cresçam",otempo é agora para tê-los só para nós,ai que dor...

Carol Garcia disse...

ai ferrou...
kkkkk
acredita que eu ainda nem tinha pensado tão seria e complexamente nesse assunto?
sim. sei que meu filho vai crescer, ter a própria vida.......... maaaaaaaas....
e fez-se o silêncio de uma mama pensante.
momento perigoso.
bjocas

Queli disse...

Mas ta cedo demais pra pensar nisso. ainda tem muito chão pela frente.

Simone disse...

Eu ri do seu post. Comecei a escrever o comentário e parei. Apaguei tudo porque comecei a pensar tristemente sobre isso.

hahaha. E ri de novo. Porque essa é a vida e que coisa essa nossa de sofrer antes da hora né?

Melhor deixar esse pensamento pra frente, Ana.

Bjs!!!!!!!!

Bianca Guimarães disse...

Oi, querida! Adorei sua visitinha em meu blog e já te add em minha listinha!!!
Gamei nos seus 4!!!!
Tb voltarei mais vezes!
Bjsssss e obrigada!

Cristina João disse...

Oi Ana,
Sei exatamente do que você está falando...
às vezes sinto isso também, os meus já estão com 13 e 14 e sinto verdadeiros arrepios só de pensar que daqui pra frente eles vão começar a voar sózinhos...eu também tenho certeza que vou me orgulhar disso, que fiz um bom trabalho até aqui, que criei dois homens do bem para o mundo, mas e eu...não quero me sentir como uma "Kombi" velha na garagem...sei que pelo amor que foi plantado, eles sempre estarão por perto mas, mesmo assim, me dói pensar nisso e me dói pensar que não serei mais o centro das atenções deles...puro egoísmo eu sei, mas mãe é assim e pronto!! Pensando bem, é melhor deixar isso lá pra frente quando começar a acontecer, por hora vou até lá no banheiro de um deles que ele está se "esgoelando" que já entrou no banho e acabou o shampoo do box, bárbaro!!!
Beijos querida, estamos todas juntas nesse sentimento,
Cris João.

Celia na Italia disse...

Ana
Vc me deixou pensando no assunto.
Ele de vez enquando povoa meus pensamentos mas por agora só quero pensar que Eduarda tem 5 anos e esta síndrome ainda vai demorar :)
Um abraço

Amanda disse...

Ahhhh qual mãe não se viu aqui neste texto? hehehe
Adorei
Bjs

luciane disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Opinião de mãe disse...

Também sofro antecipadamente com isso! Só tenho uma filha ( ao menos por enquanto) e acho que para quem tem só um deve ser ainda pior! Mas temos muito tempo para nos preparar...

Thata disse...

Ana, eu não sou mãe, sou ma(boa)drasta de 3 e, é claro, não em tempo integral. Penso em ter os meus e penso em estar próxima o tempo todo. Meu sonho é ter a vida que você tem: levar e buscar na escola, no ballet, na natação, etc. etc. etc. Enquanto não chega o fim de semana dos meus enteados ficarem em casa eu já fico planejando o que faremos, o que comeremos, onde iremos.
Pode ser até natural que um dia os filhos saiam de casa, mas sabe qual é o meu objetivo? Ter a casa cheia de netos! Pensa bem... Eu com 3 enteados e mais uns 2 filhos serão 5 para me dar um monte de netos! Você com 4 filhos terá, pelo menos, uma boa quantidade de netos. E o seu ninho não ficará muito tempo vazio!

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