Quando terminou a licença-maternidade do meu segundo filho, voltei a ser a mulher de negócios de antes, trabalhando como um camelo numa empresa com absoluta predominância masculina. Na empresa sou "Gerente de Tudo" e tenho 159 homens sob meu comando. Às vezes tenho que bancar a babá também (vocês sabem como homens são...).
Todos os dias saio de casa às 7 horas da manhã, não sem antes deixar a papinha de frutas e de legumes do F. pronta, o almoço do L. adiantado, a roupa para levar na lavanderia separada e o bilhete da empregada pendurado na geladeira. Com muito corretivo, pancake, pó e rímel consigo disfarçar a olheira preta e profunda e convenço minha equipe que "estou no comando", que sou super organizada, eficiente, responsável e profissional - apesar da maternidade. Mas, lá nos bastidores ninguém imagina o que acontece...
Pra começar mulher de negócios não devia ter TPM. O corpo deveria automaticamente reconhecer nosso trabalho e recuar. Tipo: "não, não vamos atacar esta, ela é uma mulher de negócios!". Verdade, gente, vocês não imaginam o risco absurdo que a TPM é para a saúde de uma empresa!
Bom, mas eu tenho. Tenho uma TPM que extrapola a tensão e se aproxima muito da possessão. A minha TPM não é uma simples Tensão Pré-Menstrual, é mais uma Total Possessão da Mulher. Meu marido já pensou em chamar o padre pra me exorcizar. Outra coisa: minha TPM dura 25 dias por mês. Os outros 5 eu vazo, ou melhor ilustrando, eu jorro.
E quando menstruo tendo a ser distraída. Num destes dias, tentando me concentrar numa reunião de trabalho (14 homens e eu!) toca meu celular. Enfio a mão na bolsa e atendo o telefone. Todos me olham intrigados. O telefone continuar a tocar...estranho... É que eu tinha atendido um chocalho!! Perdi um pouco da autoridades este dia.
Assim, comecei a me perguntar: como é que eu consigo ser "Gerente de Tudo" na empresa onde trabalho e não tenho o mínimo controle sobre as funções fisiológicas do meu corpo? Não pode ser. Saí em busca de soluções e encontrei uma perfeita! A amiga da minha mãe me disse que tirar o útero é demais! Que ela é uma outra mulher depois da cirurgia e que estava livre para sempre dos sintomas da possessão, quero dizer, da tensão pré menstrual.
Morri de inveja e marquei uma consulta com minha médica. Cheguei no consultório e fui dizendo:
- Doutora, por favor, quero tirar o útero. `Rranca tudo, não deixa na-da!
Ela me convenceu que sou muita nova para uma coisa assim tão radical, mas que existia uma outra solução: o DIU que interrompe a ovulação e, consequentemente, a TPM.
Amei o DIU!!!
Saí de lá com a receita e comprei o DIU, voltei no consultório, coloquei o DIU e fui embora. Eu e o meu amado DIU.
Nosso caso de amor não tardou a entrar em crise. Começamos a nos desentender naquela noite mesmo. Ele me causava dores horríveis e com ele, comecei a sangrar sem parar. Por 30 dias!! Não sei, mas parece que o objetivo era justamente o oposto: fazer com que eu parasse de mentruar.
Liguei para a médica que me pediu um ultrassom. Fui. Já no início do exame a radiologista me disse:
- Engraçado! Não consigo achar o DIU!
- Doutora, tenho certeza que ele foi inserido - respondi sem achar graça nenhuma.
- Você não expeliu o DIU, não, querida?
- Expeli? Não, não expeli.
- Aiiii, acho que você expeliu, siiiim...ela disse cantando.
Já sem paciência e apavorada com a possibilidade de uma gravidez e não mais com a TPM ou com o paradeiro do DIU, quase gritei:
- Procura direito que tá aí!! Tenho certeza que não mijei o DIU!!!
Ela me passou para outra sala e explicou que teríamos que procurar o meu ex-amado. Implorei:
- Vê se eu tô grávida primeiro, depois você pode procurar o DIU até no esôfago, mas por favor, me diga se eu engravidei!!!
Não, não engravidei (ufa!!!).
Começamos então uma excursão pelas minhas entranhas a fim de descobrir onde o DIU tinha se enfiado. O encontramos dentro do meu apêndice. Isto mesmo. Lá dentro. Metido onde não foi chamado.
A médica ordenou: "Vamos tirar isto daí JÁ!". Me assustei com o JÁ.
- Peraí, doutora, a senhora não está entendendo. Não posso tirar isto daqui JÁ. Tenho 2 filhos para buscar na escola às 6 horas e a empresa está passando por um momento difícil, será que não dá para deixar isto aí mesmo por mais uns 30 dias... pelo menos?
Não, não dava. Na manhã seguinte às 5 horas fui para a cirurgia, não sem antes deixar a papinha de frutas e de legumes do F. pronta, o almoço do L. adiantado, a roupa para levar na lavanderia separada e o bilhete da empregada pendurado na geladeira.
Tiraram o DIU e o reposicionaram. Saí do hospital às 18 horas, a tempo de buscar as crianças na escola.
Ainda estou torcendo para meu DIU aventureiro se contentar com o lugar que lhe foi designado.





6 comentários:
kkkkkk
Muito boa!!!!
Adorei... Eita bloguinho bão!!!!
Toda vez que venho aqui, tenho certeza que não estou sozinha nesta e muito menos que sou a única "doida" do pedaço!!!!
Beijos"
Oi Ana, pois é amiga estou me recuperando, perdi um bebê e foi uma situação bem complicada porque eu nem sabia da gravidez e até hoje ainda estou com o organismo debilitado, tive e ainda tenho hemorragias estranhas, mas tô me cuidando, e você querida como está com os 4, eu amei essa sua crônica real eu também vou mandar uma história minha viu? Beijos e uma ótima semana.
Muito, muito boa!!!!!!!!!!
Rsrsrsrs
Adorei!
Ana Cris, eu acho que um medinho sempre rola, mas não desistirei dessa vontade.
Sabe que sempre quis ter 4 filhos para minha casa viver cheia de gente e bem agitada. Mas a situação financeira me impossibilita disso, quem sabe se eu ganhar na mega sena até lá não realize esse sonho! hahaha
beijocas
Muuuuito boa a história.
Mulheres são assim mesmo né? A gente pensa se pode operar por causa dos compromissos do dia a dia.
Acho que devíamos nos chamar CORAGEM!
Bjs!!!!!
Eu ri tanto, mais tanto, mais tanto, mais tanto, que precisei criar um blog e vir aqui comentar. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA !
Ana do Céu, adoro o seu blog, as suas histórias de vida divertem o meu dia.
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