23 Maio 2010

Mães Impossíveis - Andréia

Esta é a história da Andréia, uma amiga de infância que eu amo e que é a pessoa que mais me faz rir no mundo!!! Ela me inspirou a começar a série MÃES IMPOSSÍVEIS, então, merece a primeira crônica.


 Quando terminou a licença-maternidade do meu segundo filho, voltei a ser a mulher de negócios de antes, trabalhando como um camelo numa empresa com absoluta predominância masculina. Na empresa sou "Gerente de Tudo" e tenho 159 homens sob meu comando. Às vezes tenho que bancar a babá também (vocês sabem como homens são...).

Todos os dias saio de casa às 7 horas da manhã, não sem antes deixar a papinha de frutas e de legumes do F. pronta, o almoço do L. adiantado, a roupa para levar na lavanderia separada e o bilhete da empregada pendurado na geladeira. Com muito corretivo, pancake, pó e rímel consigo disfarçar a olheira preta e profunda e convenço minha equipe que "estou no comando", que sou super organizada, eficiente, responsável e profissional - apesar da maternidade. Mas, lá nos bastidores ninguém imagina o que acontece...

Pra começar mulher de negócios não devia ter TPM. O corpo deveria automaticamente reconhecer nosso trabalho e recuar. Tipo: "não, não vamos atacar esta, ela é uma mulher de negócios!". Verdade, gente, vocês não imaginam o risco absurdo que a TPM é para a saúde de uma empresa!
Bom, mas eu tenho. Tenho uma TPM que extrapola a tensão e se aproxima muito da possessão. A minha TPM não é uma simples Tensão Pré-Menstrual, é mais uma Total Possessão da Mulher. Meu marido já pensou em chamar o padre pra me exorcizar. Outra coisa: minha TPM dura 25 dias por mês. Os outros 5 eu vazo, ou melhor ilustrando, eu jorro.

E quando menstruo tendo a ser distraída. Num destes dias, tentando me concentrar numa reunião de trabalho (14 homens e eu!) toca meu celular. Enfio a mão na bolsa e atendo o telefone. Todos me olham intrigados. O telefone continuar a tocar...estranho... É que eu tinha atendido um chocalho!! Perdi um pouco da autoridades este dia.

Assim, comecei a me perguntar: como é que eu consigo ser "Gerente de Tudo" na empresa onde trabalho e não tenho o mínimo controle sobre as funções fisiológicas do meu corpo? Não pode ser. Saí em busca de soluções e encontrei uma perfeita! A amiga da minha mãe me disse que tirar o útero é demais! Que ela é uma outra mulher depois da cirurgia e que estava livre para sempre dos sintomas da possessão, quero dizer, da tensão pré menstrual.

Morri de inveja e marquei uma consulta com minha médica. Cheguei no consultório e fui dizendo:
- Doutora, por favor, quero tirar o útero. `Rranca tudo, não deixa na-da!

Ela me convenceu que sou muita nova para uma coisa assim tão radical, mas que existia uma outra solução: o DIU que interrompe a ovulação e, consequentemente, a TPM.

Amei o DIU!!!

Saí de lá com a receita e comprei o DIU, voltei no consultório, coloquei o DIU e fui embora. Eu e o meu amado DIU.

Nosso caso de amor não tardou a entrar em crise. Começamos a nos desentender naquela noite mesmo. Ele me causava dores horríveis e com ele, comecei a sangrar sem parar. Por 30 dias!! Não sei, mas parece que o objetivo era justamente o oposto: fazer com que eu parasse de mentruar.

Liguei para a médica que me pediu um ultrassom. Fui. Já no início do exame a radiologista me disse:

- Engraçado! Não consigo achar o DIU!

- Doutora, tenho certeza que ele foi inserido - respondi sem achar graça nenhuma.

- Você não expeliu o DIU, não, querida?

- Expeli? Não, não expeli.

- Aiiii, acho que você expeliu, siiiim...ela disse cantando.

Já sem paciência e apavorada com a possibilidade de uma gravidez e não mais com a TPM ou com o paradeiro do DIU, quase gritei:

- Procura direito que tá aí!! Tenho certeza que não mijei o DIU!!!


Ela me passou para outra sala e explicou que teríamos que procurar o meu ex-amado. Implorei:

- Vê se eu tô grávida primeiro, depois você pode procurar o DIU até no esôfago, mas por favor, me diga se eu engravidei!!!

Não, não engravidei (ufa!!!).

Começamos então uma excursão pelas minhas entranhas a fim de descobrir onde o DIU tinha se enfiado. O encontramos dentro do meu apêndice. Isto mesmo. Lá dentro. Metido onde não foi chamado.

A médica ordenou: "Vamos tirar isto daí !". Me assustei com o .

-  Peraí, doutora, a senhora não está entendendo. Não posso tirar isto daqui . Tenho 2 filhos para buscar na escola às 6 horas e a empresa está passando por um momento difícil, será que não dá para deixar isto aí mesmo por mais uns 30 dias... pelo menos?

Não, não dava. Na manhã seguinte às 5 horas fui para a cirurgia, não sem antes deixar a papinha de frutas e de legumes do F. pronta, o almoço do L. adiantado, a roupa para levar na lavanderia separada e o bilhete da empregada pendurado na geladeira.

Tiraram o DIU e o reposicionaram. Saí do hospital às 18 horas, a tempo de buscar as crianças na escola.

Ainda estou torcendo para meu DIU aventureiro se contentar com o lugar que lhe foi designado.

6 comentários:

Janaína (Abacate) disse...

kkkkkk
Muito boa!!!!

Adorei... Eita bloguinho bão!!!!

Toda vez que venho aqui, tenho certeza que não estou sozinha nesta e muito menos que sou a única "doida" do pedaço!!!!

Beijos"

Amanda Lourinho Braga disse...

Oi Ana, pois é amiga estou me recuperando, perdi um bebê e foi uma situação bem complicada porque eu nem sabia da gravidez e até hoje ainda estou com o organismo debilitado, tive e ainda tenho hemorragias estranhas, mas tô me cuidando, e você querida como está com os 4, eu amei essa sua crônica real eu também vou mandar uma história minha viu? Beijos e uma ótima semana.

Bianca disse...

Muito, muito boa!!!!!!!!!!

Rsrsrsrs

Adorei!

Jú Ferrer disse...

Ana Cris, eu acho que um medinho sempre rola, mas não desistirei dessa vontade.

Sabe que sempre quis ter 4 filhos para minha casa viver cheia de gente e bem agitada. Mas a situação financeira me impossibilita disso, quem sabe se eu ganhar na mega sena até lá não realize esse sonho! hahaha

beijocas

Simone disse...

Muuuuito boa a história.

Mulheres são assim mesmo né? A gente pensa se pode operar por causa dos compromissos do dia a dia.

Acho que devíamos nos chamar CORAGEM!

Bjs!!!!!

Atestado de (in)Sanidade disse...

Eu ri tanto, mais tanto, mais tanto, mais tanto, que precisei criar um blog e vir aqui comentar. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA !

Ana do Céu, adoro o seu blog, as suas histórias de vida divertem o meu dia.

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